Como reduzir os 8 tipos de desperdício dos 3Ms – Muda, Mura, Muri?

Muitas empresas perdem a competitividade, ao longo do tempo, por não adotarem formas eficazes de gestão, como a redução de vários tipos de desperdício.

Cada centavo conta para assegurar a sustentabilidade de um negócio. Nesse sentido, o desperdício dentro de uma empresa pode impactar negativamente o lucro final.

Um empreendimento que gasta muito mais do que o necessário, sem considerar formas possíveis de economizar, acaba tendo um lucro mais baixo que o esperado. Contudo, pequenas atitudes podem combater vários tipos de desperdício e gerar muita economia.

A aplicação de boas práticas e metodologias de trabalho como Lean Manufacturing — ou Manufatura enxuta — tem demonstrado grande potencial de resultados nos mais diversos tipos de empresas.

Neste artigo, você conhecerá os oito tipos de desperdício apontados pelo modelo 3Ms e dicas de como reduzi-los. Confira!

O que são os 3Ms (Muda, Mura e Muri)?

O modelo 3Ms do sistema Toyota de Produção apresenta três termos em japonês — Muda, Mura e Muri — utilizados para se referir a práticas que resultam em desperdícios e precisam ser melhoradas.

Essas práticas fazem parte da metodologia de gestão denominada pelos japoneses de Lean Manufacturing, desenvolvida no fim dos anos 1940, que tem como principal função aumentar a produtividade e a eficiência, por meio da redução e da eliminação do desperdício a partir de uma manufatura enxuta.

Confira agora o significado de cada termo:

Muda

O termo Muda diz respeito ao desperdício gerado em qualquer processo que utiliza recursos sem agregar valor para o cliente, ou seja, que ele não está disposto a pagar.

Em outras palavras, é qualquer atividade improdutiva que gera desperdício, causando a necessidade de reduzir os recursos com o objetivo de aumentar a rentabilidade.

Mura

O termo Mura refere-se à falta de regularidade em uma operação, geralmente causada pelo desnivelamento ou desbalanceamento no sistema de produção ou ritmo de trabalho. Isso faz com que os trabalhadores operem com picos mais intensos e depois tenham momentos de espera, ou seja, de ociosidade.

Muri

Já o termo Muri significa sobrecarga na ergonomia, equipamentos ou nos trabalhadores, exigindo que realizem as atividades com mais intensidade e rapidez, com mais esforço e por mais tempo do que podem suportar. Ou seja, excedendo os limites adequados e saudáveis.

Quais são os 8 tipos de desperdício?

Em uma empresa, os desperdícios podem acontecer de diferentes maneiras e proporções. Eles podem ocorrer isoladamente ou vários ao mesmo tempo. Por isso, é fundamental conhecer todos os tipos de desperdício para buscar eliminá-los.

Se a prática de mitigar e eliminar desperdícios for constante, ao longo do tempo se tornará rotineira e natural em seu negócio, assim como será realizada por todos.

Eliminando-os de forma contínua é possível aumentar o nível de competitividade da sua empresa e, consequentemente, mantê-la mais sustentável no mercado. Conheça agora os oito tipos de desperdício e saiba como é possível eliminá-los.

1. Superprocessamento

O superprocessamento ocorre no processo produtivo de atividades desnecessárias ou, muitas vezes, inapropriadas, que não geram valor agregado às mercadorias ou serviços, aumentando os seus custos e, em consequência, gerando desperdício.

Esse tipo de desperdício, geralmente, só é percebido no momento em que a empresa realiza a mensuração da produtividade.

Para sanar o processamento inapropriado a empresa deve estudar os fluxos de trabalho, visando combinar ou eliminar algumas tarefas, além de poder sistematizar as atividades ligadas ao processo.

2. Superprodução

A superprodução ocorre quando a empresa produz além ou mais rápido que o necessário. É considerada a pior forma de desperdício e pode desencadear a ocorrência de todos os outros tipos.

Assim, essa superprodução cria estoques de produtos acabados que aumentam os custos de armazenamento e manuseio desses itens. Além disso, mercadorias podem ser produzidas e não vendidas.

O excesso de produção pode ser diminuído e evitado combinando o monitoramento da cadeia produtiva com sistemas modernos de gestão, parcerias com fornecedores, layouts eficientes de fabricação, melhorias na logística etc.

3. Estoque

Ocorre quando a empresa possui um armazenamento excessivo de matérias-primas, insumos, produtos semiacabados e acabados.

De modo geral, esse desperdício reflete na ocupação de grandes espaços, manutenção dos itens estocados e necessidade de inventários, entre outros cuidados.

Além disso, atrapalha a descoberta de problemas decorrentes do processo produtivo, dificultando o desenvolvimento de atividades para otimizar o desempenho empresarial e acumular capital.

Para evitar a estocagem de materiais em excesso e produzir apenas o necessário para atender ao fluxo de demanda, é importante conhecer o histórico das quantidades vendidas.

Também é fundamental estabelecer parcerias com fornecedores, adequando a produção à demanda dos consumidores.

4. Defeitos

Esse tipo de desperdício incide quando há falhas e defeitos no processo produtivo, gerando a necessidade de correção e retrabalhos.

Quando uma mercadoria não atende às características exigidas pelo controle de qualidade, esse item é rejeitado, havendo desperdício de matéria-prima, energia, mão de obra, tempo etc.

Sendo assim, os defeitos aumentam drasticamente os custos de produção e diminuem a competitividade do negócio.

Para mitigar e eliminar os defeitos é fundamental planejar e realizar melhorias contínuas e medidas de prevenção, em vez de simplesmente corrigir. A qualidade implica em fazer a coisa certa já na primeira vez.

5. Movimento

O tempo que os trabalhadores gastam para se movimentar de maneira aleatória durante a realização de uma atividade também é considerado um grande desperdício.

Alguns exemplos são o deslocamento para procurar por equipamentos, peças e documentos, entre outros. Esses movimentos em excesso, além de provocar queda na produtividade, em determinados segmentos de mercado podem até aumentar os riscos de acidentes.

Para resolver o problema de movimentação desnecessária de trabalhadores, a empresa deve realizar melhorias no design funcional das estações de trabalho, assim como no layout da linha de produção e na reorganização do estoque.

Dessa forma, haverá um fluxo de atividades mais prático e racional, e a localização e busca de materiais serão bem mais fáceis.

6. Espera

A espera ocorre quando um trabalhador ou uma equipe tem de esperar para que um material (matéria-prima, insumos etc.) seja entregue ou quando o processo produtivo fica parado à espera de máquinas, peças, reparos etc.

Também acontece quando muito material está sendo produzido ao mesmo tempo, aumentando o lead time — isto é, acrescentando tempo desnecessário a todo o processo de produção.

Para eliminar a ociosidade e melhorar o aproveitamento dos recursos produtivos, é preciso definir as prioridades, otimizar a comunicação interna, bem como a conciliação das atividades.

7. Transporte

O transporte é algo necessário para o deslocamento de recursos (insumos, equipamentos, ferramentas, documentos ou materiais) dentro da organização e para a distribuição dos produtos ao consumidor final.

Porém, movimentos mal planejados geram desperdícios de energia, tempo, mão de obra, combustível etc. Por não ser uma atividade que agrega valor ao produto, o transporte deve sempre ser otimizado visando a redução de custos.

Para tanto, crie layouts eficientes, para que os clientes possam ser atendidos por fornecedores que estejam próximos. Todos os recursos devem ser movidos, realocados, ou posicionados ao lado ou perto de usuários. A logística dos percursos deve ser bem planejada, analisando-se os custos totais.

8. Conhecimento

O desperdício com conhecimento ocorre quando as habilidades e talentos dos colaboradores não são aproveitados e as suas ideias e criatividade são inibidas.

Não colocar um profissional para exercer uma função compatível com seu conhecimento intelectual é subutilizar a sua capacidade. Isso não é interessante para o processo e nem para os negócios.

O incentivo intelectual tem sido uma das grandes estratégias utilizadas pelas empresas para a motivação profissional. Cabe ao gestor identificar as atividades mais apropriadas para cada colaborador.

Por fim, todos os tipos de desperdício podem ser reduzidos ou eliminados. Contudo, é preciso orientar e deixar todos os colaboradores alinhados às práticas de economia adotadas. Pois somente com a colaboração de todos os resultados serão alcançados.

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