QFD, FMEA e FTA: conheça as ferramentas revolucionárias para uma boa gestão

Bons gestores estão sempre em busca de novas ferramentas para melhorar seus processos na instituição. Por outro lado, o mercado nesse quesito está em contínuo aprimoramento, sempre lançando novos meios pelos quais otimizar o trabalho desses profissionais. QFD, FMEA e FTA são bons exemplos disso.

Trata-se de ferramentas que prometem revolucionar os processos de gestão e vêm se difundindo pelos diversos setores do mercado. Elas podem ser entendidas da seguinte forma:

  • QFD (Quality Function Deployment – Desdobramento de função de qualidade, em tradução livre),
  • FMEA (Failure of mode and effect analysis – em português: análises de modos de falhas e efeitos) e
  • FTA (Fault tree analysis – Análise da árvore de falhas, em nossa língua).

É importante que líderes e técnicos conheçam e saibam como usar essas ferramentas. Se você quer entender melhor a função de cada uma delas e por que deveria implantá-las, continue lendo. Preparamos um miniguia especial para você.

QFD

Trata-se de uma técnica que permite criar um link entre os atributos do cliente e os parâmetros do projeto. O primeiro item a ser definido são os atributos críticos do cliente. Eles então são agrupados em categorias e ponderações e a representatividade de cada uma é definida.

A partir dessas informações, é possível criar parâmetros para o projeto que atendam a essa demanda. Desse modo, elabora-se uma matriz de relacionamento que compara cada um desses parâmetros aos atributos do cliente. Isso possibilita que o cliente compare o produto da empresa aos concorrentes. Então, pode ser estabelecida também a análise da relação entre esses itens.

Essa ferramenta foi criada no Japão, na década de 70, mas só veio para o Ocidente na década seguinte. Possui como principal objetivo alinhar produtos e expectativas dos clientes. Uma vez alcançada essa harmonia, é possível reduzir os custos de produção e o tempo para desenvolvimento.

Sendo assim, os objetivos do cliente são conhecidos antes que se inicie o processo e possíveis falhas são detectadas logo no início, não permitindo que ocasionem um problema maior.

Além disso, uma das principais premissas da filosofia da ferramenta diz que devemos nos preocupar também com questões óbvias no que diz respeito ao atendimento e relacionamento com o cliente. Muitas vezes, deixar para trás o que parece ser óbvio demais pode fazer com que o cliente fique insatisfeito. Melhor evitar, não é mesmo?

As matrizes usadas para determinar as variáveis estabelecidas pelo cliente tem o formato de uma casa. Por isso, o modelo ficou conhecido como “Casa da Qualidade”. É essa “casa” que contém todos os itens que citamos acima e que vão ajudar a empresa a atender as expectativas do cliente.

FMEA

Se um produto ou processo produtivo apresenta uma falha, atenuar seus sintomas nem sempre é a melhor opção. O ideal é tratar a causa para que ela não volte a ocorrer. O principal objetivo dessa ferramenta é identificar pontos que exigem maior atenção para evitar erros de processo.

O primeiro passo para a sua implantação é a obtenção de dados advindos do campo que versam sobre as possíveis falhas de um processo. A partir daí, cada uma delas é analisada quanto à extensão do dano causado caso ela realmente ocorra, a frequência que ela costuma de fato ocorrer e o grau de dificuldade e tempo que normalmente levamos para percebê-la.

Esses três critérios podem ser definidos, respectivamente, como:

  • Severidade (S),
  • Probabilidade de ocorrência (O) e
  • Probabilidade de detecção (D).

Cada um desses quesitos recebe uma nota que será somada para determinar a nota geral da falha. Quanto maior for esse número, mais atentos devemos ficar à possibilidade da sua ocorrência.

Uma organização conta com diversos nós. Fornecedores, distribuidores e armazéns são bons exemplos deles. Eles são conectados entre si por ligações, que são os fluxos financeiros, os fluxos físicos e os fluxos de informação. Juntos, formam as cadeias de informações. O risco de falha entre esses nós e ligações é o que determina a vulnerabilidade de uma cadeia de informações.

Cabe à gestão a análise de quais desses nós e ligações são essenciais ao processo produtivo. Os pontos em que as falhas trariam maiores danos são denominados “caminho crítico”.

A partir daí, pode-se elaborar planos de contingência, relacionados a como agir caso essas falhas realmente ocorram. É por isso que a ferramenta FMEA é tão importante na gestão: ela permite saber como agir em caso de falha antes mesmo que elas aconteçam, além de tomar medidas para atenuar sua ocorrência.

FTA

Desenvolvida nos anos 60 por H. A. Watson, a ferramenta surgiu inicialmente para atuar no projeto do míssil Minuteman. Também foi usada em outros projetos aeronáuticos da Boeing.

A partir dela, é possível criar uma árvore de possíveis falhas para um processo. A construção da árvore começa pela análise de riscos que permite eleger uma hipótese acidental, denominada “evento-topo”.

Os “galhos” consistem e outros eventos que contribuem para a ocorrência do evento-topo. Entretanto, é preciso que haja uma ligação lógica entre eles. Entre esses eventos secundários, há outros eventos intermediários que também devem ser identificados.

A partir daí, será possível observar a repetição de eventos, o que permite mensurar as probabilidades e frequências de cada um. São esses dados que ajudarão a determinar a probabilidade de ocorrência do “efeito-topo”.

Diferenças entre FMEA e FTA

Embora se destinem a finalidades similares, essas ferramentas apresentam algumas diferenças em sua aplicação.

Enquanto a FTA identifica as causas primárias das falhas e as relaciona com a falha final do produto, a FMEA identifica e classifica as falhas de cada componente, com suas causas e consequências.

Na FTA, quem detecta as falhas é o usuário do produto. Elas são relacionadas a outras falhas secundárias e comparadas a elementos lógicos. Na FMEA, todas as possíveis falhas são consideradas, ainda que não tenham ocorrido, e é a partir daí que se tomam ações preventivas e corretivas.

A FTA foca na falha final do sistema, enquanto a FMEA analisa todos os componentes e leva em conta a ocorrência de falhas simultâneas em mais de um elemento.

Entendeu como funcionam o QFT, FMEA e FTA e por que você deveria incorporá-los à gestão da sua companhia? Se você gostou do artigo, assine a nossa newsletter e tenha acesso a mais conteúdos como esse.

 

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